22/02/10 - As 22hs, saio do Hotel Ghala em direção a praça Nove de Julho onde escolho um restaurante típico da região. A pedida é uma parrilada acompanhada de uma Guilmes bem gelada. O movimento é intenso até as 11:hs quando o saltense se recolhe para suas casas. A chuva deu um descanso. No quarto do hotel um pedaço pequeno de gesso do teto cai na minha cabeça e prefiro considerar como um elemento de sorte.
23/02/10 - Aleluia. O dia amanhece com sol, poucas nuvens e resolvo aproveitar o dia para conhecer os pontos turísticos da cidade. Depois de me perder pelas ruas da cidade, visitando museus, igrejas e livrarias volto a praça Nove de Julho onde tudo acontece. São 12hs, escolho um restaurante e me sento à mesa solicitando ao garçon uma Guilmes e o cardápipo. Sou informado de que o almoço só inicia as "doze e um quarto". Enquanto espero, revejo as minhas anotações para o dia seguinte. O destino será Purmamarca e Tilcara, onde farei a aclimatação para poder atravessar o Paso de Jama. Das 13:30hs até as 17:30hs o comércio fecha em função da "siesta". A população aproveita esse periodo para descanso e as ruas ficam desertas. Das 17:30hs até as 22hs o comércio abre e a população voltas as ruas. Voltei para o hotel por volta das 14hs para "também" descansar. De repente o céu escurece, a chuva chega com violência com ventos fortes, as ruas começam a alagar e a recepção do hotel enche de água. Prefiro ficar no meu quarto assistindo TV, quando ouço um estalo seco que não consigo identificar a sua origem. Vejo um filete de agua cair do lustre e ato contínuo, o teto cai em cima de mim que estava na cama. Levantei num pulo alcanço a porta do corredor onde quebro o lacre e aciono o botão de emergência. Nesse ponto desligo a TV mas o teto do banheiro desaba, a agua escorre pelas paredes do quarto e os móveis de mogno ficam encharcados. Chega o pessoal de socorro e imediatamente me passam para outro quarto, também no 6 andar, que não demora muito e começa a fazer agua. Isolam o 6 andar. Novamente sou transferido, agora para o 4 andar, uma suite maravilhosa. Lá fora a chuva continua a fazer estragos na cidade. Falta luz no hotel. A garagem, no subsolo, está alagada. Na recepção encontro todos os outros hospedes do hotel. A justificativa do gerente do hotel é de que Salta não está preparada para tantos dias de chuva e com tal intensidade. Na recepção converso com um casal de Iquique, norte do Chile, que sabendo do meu roteiro por São Pedro do Atacama e Antofagasta, me alerta para o fato de que há indícios de uma Tsunami na costa do Chile para aquela semana. São 20hs continuamos na recepção do hotel e a chuva não da sinais de que vai parar, logo resolvo ligar para a fronteira a fim de saber a condição de passagem pelo Paso de Jama. A noticia caiu como uma bomba nos meus ouvidos - o Paso de Jama está fechado sem previsão de abertura em função das fortes chuvas dos ultimos dias. Começo a me irritar com todos esses obstáculos que estão aparecendo na minha frente. A luz retorna e subo para a minha "suite" que espero, não chova e nem caia o teto. Durmo embalado com o barulho da chuva.
24/02/10 - O dia amanhece com chuva forte, ruas alagadas, a garagem do hotel alagada e começo a pensar seriamente se continuo a viagem. Depois do café da manhã ligo novamente para a fronteira e, a resposta é a mesma. As 10hs resolvo, mesmo em baixo de muita chuva, sair do hotel e seguir viagem com destino ignorado. A moto demorou a pegar pois havia agua até mais da metade da altura da roda. Não é preciso lembrar que a minha roupa estava encharcada. Consigo sair do hotel, ando pelas calçadas e ruas da cidade e depois de muitos vai e vem, consigo chegar na Ruta 9, que ao norte vai a Purmamarca e ao sul vai a Cafayate. No posto de serviço paro para abastecer e repensar na minha decisão de retornar. É muito dificil saber que estou apenas 500km do meu destino e ter que desistir. Ligo novamente para a fronteira, e a minha voz parece familiar ao agente que atendeu - Não senhor, ainda não temos previsão de abertura do Paso de Jama. Vejo a TV do posto e lá estão as previsões da região - chuva intensa até sábado com ventos fortes. Desisto. Não consigo descrever a minha frustação. Enquanto aguardo no posto de serviço que a chuva pare, dou uma olhada no mapa e decido fazer um retorno diferente daquele que me trouxe até aqui. Subo na moto com outro ânimo e vou em direção a Cafayate.
segunda-feira, 22 de março de 2010
domingo, 21 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
Salta
22/02/10 - Uso roupa molhada pois nao houve como secá-las. O trecho da ruta 89 que vai de Corzuela até Santiago del Estero está em péssima situação. Além da chuva e da lama, os gafanhotos invadem a estrada, sujam o capacete, roupa, parabrisa e entopem os espaços vazios do motor. Muitos trechos da estrada encontram-se apenas com meia pista disponível, sem contar a falta de acostamento. A cada quilometro vencido, mais me conveço de que devo desistir de continuar a viagem. Depois de seis horas enfrentando todo tipo de obstáculo possível estaciono para abastecer no entroncamento de Santiago del Estero, que liga o norte (ruta 34) a Salta e o sul, a cidade de Resistência. De repente solto um grito de alegria. Finalmente. O sol está na posição do meio-dia e vejo uma esperança de que daqui pra frente tudo vai ser diferente. Com determinação decido ir para o norte, esquecendo da minha decisão anterior de retornar para casa. Entro pela ruta 34 e sigo em direção a Salta, renovado com o meu desejo de por fim as chuvas. A ruta 34 está vazia, possui retas de 100km, sem nenhum posto de serviço aldeia. Apenas tenho como companhia o sol, a planície, vegetação rasteira, alguns animais pastando e muito, mas muito gafanhoto cruzando a minha frente. Estou feliz. O sol fica mais forte aumentando a temperatura do meu corpo, além de ajudar a secar a minha roupa. Chego em Salta por volta das 20hs e vou direto para o Hotel Ghala.
Viagem de obstáculos
21/02/10 - Decido pernoitar em Corzuela, cidade de apenas 16 mil habitantes, com uma rua larga e plana que leva até a praça principal cercada por um corredor de árvores pontilhando o trajeto. Paralelo ao corredor de árvores segue um calçamento onde se encontra lojas do comércio local. Não vejo nenhum restaurante, o que me leva a comprar sanduiches e refrigerantes para abastecer a minha"geladeira". Fico no Hotel Alamos, construção megalomaníaca de um politico local. Resolvo dar um tempo maior nesta cidade para pensar melhor no que devo fazer daqui para frente. O resumo da viagem, até aqui, é o de muita chuva, ventos fortes, alagamentos, estradas interrompidas pela chuva, trecho de obras inacabadas nas estradas, roupa suja que não seca, temperatura nos extremos, de 40 para 13 graus. A chuva continua sendo o maior obstáculo até o momento, pois nao consigo percorrer a quilometragem suficiente para alcançar as minhas metas. O meu planejamento indica que estou atrasado 4 dias, isto é, já poderia estar em São Pedro do Atacama, no chile. Com a chuva e lama surgem problemas do tipo - roupa suja, roupa não seca a tempo de poder usá-la novamente, sujeira no visor do capacete o que acarreta impossibilidade de enchergar a pista, a propria pista que encontra-se em péssimas condições, o cansaço físico e mental e finalmente o fato de que com a chuva não se aproveita o dia-a-dia da viagem. São 22hs, estendo pelo quarto toda a roupa que lavei e me certifico de que amanhã, provavelmente, não terei roupa limpa para vestir, além de confirmar que minha máquina fotográfica digital está pifando devido a sujeira. A chuva lá fora continua com muita intensidade. Estou sem paciencia. Antes de dormir, tomo uma decisão - se continuar chovendo amanhã, faço meia volta e vou para casa.
22/02/10 - Tomo meu café da manhã às 7hs acompanhado do rítmo constante da chuva que bate na janela do restaurante. Perco a paciência e resolvo voltar para casa. Não dá mais para suportar dias e dias pilotando sob a chuva. Estou pilotando a 10 dias sob
chuva ininterrupta. Na saida da cidade ainda me dou o prazer (quase diabólico) de decidir fazer um caminho alternativo. Sigo pela ruta 89 até Santiago del Estero e depois desço para o sul até Reconquista, entrando por no Brasil por Uruguaina.
22/02/10 - Tomo meu café da manhã às 7hs acompanhado do rítmo constante da chuva que bate na janela do restaurante. Perco a paciência e resolvo voltar para casa. Não dá mais para suportar dias e dias pilotando sob a chuva. Estou pilotando a 10 dias sob
chuva ininterrupta. Na saida da cidade ainda me dou o prazer (quase diabólico) de decidir fazer um caminho alternativo. Sigo pela ruta 89 até Santiago del Estero e depois desço para o sul até Reconquista, entrando por no Brasil por Uruguaina.
terça-feira, 9 de março de 2010
Corzuela
21/02/10 - Amanhece o dia com chuva, muita chuva. Após o café na companhia do amigo Dr.Carlos Felin, de Santa Maria/RGS, saio para abastecer a moto e cometo uma burrice enorme. Derrubei café no computador do gerente do posto de serviço. Ele, com muita calma, desfilou todos os palavrões em espanhol contra mim, que sai de fininho p/ não ficar pior a situação. O dia prometia mais surpresas. Novamente na ruta 12, a chuva muito forte impedia pilotar com visão necessária, a estrada cheia de obras e muitos gafanhotos que se esborrachavam no capacete, para-brisa, entupiam o motor e deixando uma mancha amarela na roupa. Deixo as cidades de Corrientes e Resistência para trás assim como a Ruta 12 que a partir daqui desce até a cidade de Zarate, bem perto de Buenos Aires. Sigo pela Ruta 16 até Avia Terai e dobro a esquerda para seguir pela Ruta 89 que termina em Santiago del Estero, a minha provável parada para descanço, porém uma vez mais tive que me abrigar da chuva na cidade de Corzuela. Passei por um trecho de estrada muito mal conservado o que me obrigou a dobrar a atenção e o tempo para percorrer 178km de Ita Ibaté até Corriente.
segunda-feira, 8 de março de 2010
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