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segunda-feira, 22 de março de 2010

Salta, só problemas

22/02/10 - As 22hs, saio do Hotel Ghala em direção a praça Nove de Julho onde escolho um restaurante típico da região. A pedida é uma parrilada acompanhada de uma Guilmes bem gelada. O movimento é intenso até as 11:hs quando o saltense se recolhe para suas casas. A chuva deu um descanso. No quarto do hotel um pedaço pequeno de gesso do teto cai na minha cabeça e prefiro considerar como um elemento de sorte.

23/02/10 - Aleluia. O dia amanhece com sol, poucas nuvens e resolvo aproveitar o dia para conhecer os pontos turísticos da cidade. Depois de me perder pelas ruas da cidade, visitando museus, igrejas e livrarias volto a praça Nove de Julho onde tudo acontece. São 12hs, escolho um restaurante e me sento à mesa solicitando ao garçon uma Guilmes e o cardápipo. Sou informado de que o almoço só inicia as "doze e um quarto". Enquanto espero, revejo as minhas anotações para o dia seguinte. O destino será Purmamarca e Tilcara, onde farei a aclimatação para poder atravessar o Paso de Jama. Das 13:30hs até as 17:30hs o comércio fecha em função da "siesta". A população aproveita esse periodo para descanso e as ruas ficam desertas. Das 17:30hs até as 22hs o comércio abre e a população voltas as ruas. Voltei para o hotel por volta das 14hs para "também" descansar. De repente o céu escurece, a chuva chega com violência com ventos fortes, as ruas começam a alagar e a recepção do hotel enche de água. Prefiro ficar no meu quarto assistindo TV, quando ouço um estalo seco que não consigo identificar a sua origem. Vejo um filete de agua cair do lustre e ato contínuo, o teto cai em cima de mim que estava na cama. Levantei num pulo alcanço a porta do corredor onde quebro o lacre e aciono o botão de emergência. Nesse ponto desligo a TV mas o teto do banheiro desaba, a agua escorre pelas paredes do quarto e os móveis de mogno ficam encharcados. Chega o pessoal de socorro e imediatamente me passam para outro quarto, também no 6 andar, que não demora muito e começa a fazer agua. Isolam o 6 andar. Novamente sou transferido, agora para o 4 andar, uma suite maravilhosa. Lá fora a chuva continua a fazer estragos na cidade. Falta luz no hotel. A garagem, no subsolo, está alagada. Na recepção encontro todos os outros hospedes do hotel. A justificativa do gerente do hotel é de que Salta não está preparada para tantos dias de chuva e com tal intensidade. Na recepção converso com um casal de Iquique, norte do Chile, que sabendo do meu roteiro por São Pedro do Atacama e Antofagasta, me alerta para o fato de que há indícios de uma Tsunami na costa do Chile para aquela semana. São 20hs continuamos na recepção do hotel e a chuva não da sinais de que vai parar, logo resolvo ligar para a fronteira a fim de saber a condição de passagem pelo Paso de Jama. A noticia caiu como uma bomba nos meus ouvidos - o Paso de Jama está fechado sem previsão de abertura em função das fortes chuvas dos ultimos dias. Começo a me irritar com todos esses obstáculos que estão aparecendo na minha frente. A luz retorna e subo para a minha "suite" que espero, não chova e nem caia o teto. Durmo embalado com o barulho da chuva.

24/02/10 - O dia amanhece com chuva forte, ruas alagadas, a garagem do hotel alagada e começo a pensar seriamente se continuo a viagem. Depois do café da manhã ligo novamente para a fronteira e, a resposta é a mesma. As 10hs resolvo, mesmo em baixo de muita chuva, sair do hotel e seguir viagem com destino ignorado. A moto demorou a pegar pois havia agua até mais da metade da altura da roda. Não é preciso lembrar que a minha roupa estava encharcada. Consigo sair do hotel, ando pelas calçadas e ruas da cidade e depois de muitos vai e vem, consigo chegar na Ruta 9, que ao norte vai a Purmamarca e ao sul vai a Cafayate. No posto de serviço paro para abastecer e repensar na minha decisão de retornar. É muito dificil saber que estou apenas 500km do meu destino e ter que desistir. Ligo novamente para a fronteira, e a minha voz parece familiar ao agente que atendeu - Não senhor, ainda não temos previsão de abertura do Paso de Jama. Vejo a TV do posto e lá estão as previsões da região - chuva intensa até sábado com ventos fortes. Desisto. Não consigo descrever a minha frustação. Enquanto aguardo no posto de serviço que a chuva pare, dou uma olhada no mapa e decido fazer um retorno diferente daquele que me trouxe até aqui. Subo na moto com outro ânimo e vou em direção a Cafayate.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Salta

22/02/10 - Uso roupa molhada pois nao houve como secá-las. O trecho da ruta 89 que vai de Corzuela até Santiago del Estero está em péssima situação. Além da chuva e da lama, os gafanhotos invadem a estrada, sujam o capacete, roupa, parabrisa e entopem os espaços vazios do motor. Muitos trechos da estrada encontram-se apenas com meia pista disponível, sem contar a falta de acostamento. A cada quilometro vencido, mais me conveço de que devo desistir de continuar a viagem. Depois de seis horas enfrentando todo tipo de obstáculo possível estaciono para abastecer no entroncamento de Santiago del Estero, que liga o norte (ruta 34) a Salta e o sul, a cidade de Resistência. De repente solto um grito de alegria. Finalmente. O sol está na posição do meio-dia e vejo uma esperança de que daqui pra frente tudo vai ser diferente. Com determinação decido ir para o norte, esquecendo da minha decisão anterior de retornar para casa. Entro pela ruta 34 e sigo em direção a Salta, renovado com o meu desejo de por fim as chuvas. A ruta 34 está vazia, possui retas de 100km, sem nenhum posto de serviço aldeia. Apenas tenho como companhia o sol, a planície, vegetação rasteira, alguns animais pastando e muito, mas muito gafanhoto cruzando a minha frente. Estou feliz. O sol fica mais forte aumentando a temperatura do meu corpo, além de ajudar a secar a minha roupa. Chego em Salta por volta das 20hs e vou direto para o Hotel Ghala.

Viagem de obstáculos

21/02/10 - Decido pernoitar em Corzuela, cidade de apenas 16 mil habitantes, com uma rua larga e plana que leva até a praça principal cercada por um corredor de árvores pontilhando o trajeto. Paralelo ao corredor de árvores segue um calçamento onde se encontra lojas do comércio local. Não vejo nenhum restaurante, o que me leva a comprar sanduiches e refrigerantes para abastecer a minha"geladeira". Fico no Hotel Alamos, construção megalomaníaca de um politico local. Resolvo dar um tempo maior nesta cidade para pensar melhor no que devo fazer daqui para frente. O resumo da viagem, até aqui, é o de muita chuva, ventos fortes, alagamentos, estradas interrompidas pela chuva, trecho de obras inacabadas nas estradas, roupa suja que não seca, temperatura nos extremos, de 40 para 13 graus. A chuva continua sendo o maior obstáculo até o momento, pois nao consigo percorrer a quilometragem suficiente para alcançar as minhas metas. O meu planejamento indica que estou atrasado 4 dias, isto é, já poderia estar em São Pedro do Atacama, no chile. Com a chuva e lama surgem problemas do tipo - roupa suja, roupa não seca a tempo de poder usá-la novamente, sujeira no visor do capacete o que acarreta impossibilidade de enchergar a pista, a propria pista que encontra-se em péssimas condições, o cansaço físico e mental e finalmente o fato de que com a chuva não se aproveita o dia-a-dia da viagem. São 22hs, estendo pelo quarto toda a roupa que lavei e me certifico de que amanhã, provavelmente, não terei roupa limpa para vestir, além de confirmar que minha máquina fotográfica digital está pifando devido a sujeira. A chuva lá fora continua com muita intensidade. Estou sem paciencia. Antes de dormir, tomo uma decisão - se continuar chovendo amanhã, faço meia volta e vou para casa.

22/02/10 - Tomo meu café da manhã às 7hs acompanhado do rítmo constante da chuva que bate na janela do restaurante. Perco a paciência e resolvo voltar para casa. Não dá mais para suportar dias e dias pilotando sob a chuva. Estou pilotando a 10 dias sob
chuva ininterrupta. Na saida da cidade ainda me dou o prazer (quase diabólico) de decidir fazer um caminho alternativo. Sigo pela ruta 89 até Santiago del Estero e depois desço para o sul até Reconquista, entrando por no Brasil por Uruguaina.

terça-feira, 9 de março de 2010

Corzuela

21/02/10 - Amanhece o dia com chuva, muita chuva. Após o café na companhia do amigo Dr.Carlos Felin, de Santa Maria/RGS, saio para abastecer a moto e cometo uma burrice enorme. Derrubei café no computador do gerente do posto de serviço. Ele, com muita calma, desfilou todos os palavrões em espanhol contra mim, que sai de fininho p/ não ficar pior a situação. O dia prometia mais surpresas. Novamente na ruta 12, a chuva muito forte impedia pilotar com visão necessária, a estrada cheia de obras e muitos gafanhotos que se esborrachavam no capacete, para-brisa, entupiam o motor e deixando uma mancha amarela na roupa. Deixo as cidades de Corrientes e Resistência para trás assim como a Ruta 12 que a partir daqui desce até a cidade de Zarate, bem perto de Buenos Aires. Sigo pela Ruta 16 até Avia Terai e dobro a esquerda para seguir pela Ruta 89 que termina em Santiago del Estero, a minha provável parada para descanço, porém uma vez mais tive que me abrigar da chuva na cidade de Corzuela. Passei por um trecho de estrada muito mal conservado o que me obrigou a dobrar a atenção e o tempo para percorrer 178km de Ita Ibaté até Corriente.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Itá Ibaté

20/02/10 - Sigo pela Ruta 12 em direção a Posadas. Essa ruta atravessa uma vasta planície sem atração turistica. A estrada é bem sinalizada e c/ bom asfalto. Visito as ruínas de San Ignácio das Missões Jesuíticas, local maravilhoso e bem cuidado. A minha intenção é de chegar até Resistencia, porém como o calor e a chuva me acompanha durante todo o dia, dificultando a pilotagem, sou forçado a procurar um hotel na aldeia turística de Itá Ibaté, a beira do Rio Paraná e que na lingua guarani significa Pedra Alta. A aldeia adquiriu relevância devido à pesca dos gigantes do Rio Paraná como o Dourado e Surubím, e das espécies muito combativas como a Voga e Pacú. No hotel existem fotos de pescadores brasileiros com peixes pesando mais de 100kg, motivo da procura pelo local. Começo a observar na periferia das cidades a utilização, pela população, das scooters de até 100cc. Nos postos de gasolina existem filas dessas escooters para abastecimento e o motivo se deve a baixa renda da população do baixo custo de manutenção. Da mesma forma aparecem carros antigos e econômicos como o Renault 86 e os Falcon´80.

domingo, 7 de março de 2010

Resumo da viagem até Foz do Iguaçú

No período de 13 a 19/02/10 - desde que saí do Rio de Janeiro tenho enfrentado calor de 40 graus, muita chuva e alagamento. Até Ourinhos piloto em auto-pista. A chuva é mais intensa na região de Cornélio Procópio/PR onde sofro com os 15 graus à noite. Em direção a Campo Mourão a chuva continua e o calor, durante o dia, mantém-se nos 39/40 graus até chegar em Foz do Iguaçú/PR. As estradas são muito boas e no Paraná motocicleta paga um pedágio muito caro. Em todos os hoteis, por mais simples que sejam, disponibilizam acesso a internet, inclusive alguns restaurantes de estrada.

sábado, 6 de março de 2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

Argentina

Hoje, 20/02/10, estou na fila p/entrar na Argentina e sou liberado rápidamente, porem a fila p/cambiar moeda leva 40 minutos (1 real por 2 pesos argentinos) devido a falta de energia constante neste lado da Argentina. Sigo em direção ao posto de gasolina e lá encontro uma fila de aprox. 20 veiculos, todos c/ placa do Brasil. Aqui a nafta custa 1,50 o litro. Nessa fila encontro o Vilson, jogador do Vasco nos anos 80/90 tiramos fotos e falamos sobre futebol. Passo p/ Puerto Iguaçú que me parece mais uma cidade do faroeste americano, atravesso planícies sem nehum atrativo. Visito as ruinas São Ignácio das Missões Jesuíticas, Patrimonio da Humanidade e sigo até a cidade de Itá Ibaté, local de pesca a beira do rio Paraná.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Fazendo amigos

18/02/10 - Por volta das 17hs deixo as bagagens no hotel e ligo para o pessoal de casa dando a minha posição. Tomei um banho gelado ao mesmo tempo que lavei toda a roupa suja que estendi no banheiro e no quarto par secagem em baixo do ar condicionado. Fui andar pela cidade. Uma esquina após o hotel encontrei a loja da Motoyama aberta (eram 19hs). O jovem que me atendeu foi o Assis, dono da revenda de motos, que diante da minha dúvida quanto a regulagem das marchas, se prontificou a ver a moto, garantindo não haver nada de errado. O Assis é daquelas pessoas que voce conhece hoje mas a impressão que fica é a de que já se conhece a anos. Obrigado Assis pelo apoio e amizade. Por intermédio do Assis fui aconselhado a procurar o Rafael, da Pico Motos de Foz do Iguaçú.
19/02/10 - Cheguei em Foz por volta das 14:30hs e fui direto a Picos Motos procurar o Rafael Neves que estava viajando, mas conheci o seu pai, figura impar, a exemplo do Assis. Amanhã entro a Argentina.

Chuva e alagamentos

Somente no dia 17/02/10 consigo seguir viagem. Pego a Rod.Castelo Branco e a chuva vem com muita intensidade, dificultando a pilotagem. É preciso inventar um capacete com limpador de parabrisa. No trevo de Ourinhos, divisa c/ Paraná, a chuva diminui o que me faz esticar até Londrina. Alguns kms rodados e a chuva retorna, com temperatura caindo p/18ºC e neblina, fazendo com que os caminhões, na ultrapassagem, joguem agua e barro vermelho no capacete e na roupa de chuva, tornando impraticável a pilotagem. Hospedo-me na cidade de Cornélio Procópio, na esperança de que no dia seguinte a chuva de uma trégua.
18/02/10- Acordo por volta das 8hs e me certifico de que a chuva atravessou a madrugada e não têm previsão de parar tão cedo. As 12hs tomo a decisão de continuar viagem mesmo com chuva, frio, neblina e barro.
Curiosidade gastronômica - nesta região é comum pedir um filé com fritas acompanhado de uma banana à milanesa. Idem para a picanha com arroz, batata frita, farofa e banana à milaneza. Em um restaurante de estrada ouvi um demonstradora alertar os clientes da necessidade de lavar frutas e legumes com água sanitária, para higienizar o alimento. Voce já comeu queijo de porco? e de peixe?. Pois acredite esse queijo existe e é vendido na beira da estrada.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Dificuldades a vencer

No dia 13/02 sai por volta das 6:30hs da manha, depois do café com a familia, algums fotos e logo estava na Av.Das Américas em direção a São Paulo. Já percorri tantas vezes a Dutra que começo a me chatear com o mesmo trajeto. Paro na Basilica de Aparecida e no estacionamento para motos puxo conversa com os dois vigias. Digo da dificuldade com os animais na pista, e logo um deles me diz que já atropelou um cachorro mas que nada de grave lhe aconteceu. O outro, de pronto, disse que já havia atropelado um cavalo não ocorrendo nenhum arranhão na moto e nem mesmo ele sofreu um ferimento. Na saida, quando entreguei o ticket de estacionamento, disse-lhe que merecia o troféu dos motoqueiros mentirosos. Recebi como resposta um sorriso maroto. Em S.J.do Campos e procuro saber do transito para São Paulo. A informação é que está congestionado e o Policial me sugere pegar a D.Pedro em direção a Campinas. Na entrada de Campinas não ha indicações para a Rodovia Castelo Branco, portanto fico girando por quase 3 horas até achar a saida para a Rod.Bandeirantes em direção a Salto,Itú e finalmente Rod.Castelo Branço. Como todo viagem, acontecem os imprevistos e este primeiro dia não foi diferente. Apesar das horas de pilotagem estou inteiro.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Compromisso

A palavra Compromisso, as vezes me parece um grande palavrão diante do medo que toma conta de mim na véspera de partir para mais uma viagem com motocicleta. Em fev/2008 fui até Santiago do Chile, rodando 9 mil km. Desta vez o destino é o Deserto do Atacama, no Chile. Amanhã, 13/02/10 começa tudo outra vez, a exemplo da viagem anterior. Muito medo na véspera, dor de cabeça, uma sensação do tipo "o que vou fazer lá?", enfim uma sensação de estar sem chão firme para pisar. Mas a determinação, a motivação e a curiosidade de conhecer o desconhecido vão me levar até lá.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Destino - Deserto do Atacama

Pessoal, dia 13/02/2010, sábado de carnaval, estarei dando início a mais uma viagem "dos sonhos". Depois de um planejamento estratégico bem definido (assim penso eu, né?), com metas a serem cumpridas, vou chegar ao Deserto do Atacama dentro de aprox. uma semana. Mais uma vez vou de moto e sozinho. O trajeto será - Rio - Foz do Iguacú - Resistencia - Santiago del Estero - Salta - Susques e Sao Pedro do Atacama. Na volta haverá mais um desafio - atravessar o Paso de San Francisco com altura de 4.760m. Vou colocar as novidades da viagem a medida que for alcançando as minhas metas. Até lá.